#7 - Junho 2008 Voltar ao Índice
Ciência & Opinião
Ricardo Rose é formado em jornalismo, possui cursos de gestão ambiental pela Carl Duisberg Gesellschaft e SENAC, especialização em energia, marketing e finanças. Formado em filosofia. Desde 1997 é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha.

- ARTIGO -
UMA INTRINCADA TEIA DE RELAÇÕES



A globalização da economia e a rapidez das comunicações fazem com que os acontecimentos tenham influência imediata em todas as partes do mundo. A descoberta de uma nova mina de níquel, por exemplo, tem repercussão imediata nas bolsas. A quebra da safra da laranja na Flórida ou no interior de São Paulo, causa um impacto imediato nos preços dos principais pregões do mundo. As economias estão cada vez mais interdependentes e sujeitas aos acontecimentos globais; o que acontece hoje aqui ou ali, amanhã terá repercussão no mundo inteiro.

Atualmente, defrontamo-nos com problemas que devido a suas implicações, se tornaram mundiais e poderão interferir no destino das nações. O primeiro destes temas é a questão do aquecimento global, provocado pela emissão de gases poluentes através da queima de combustíveis fósseis – petróleo e carvão mineral principalmente. O fenômeno está afetando todos os segmentos da economia. Segundo o professor e ex-Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Dr. José Goldemberg, o aquecimento global imporá custos enormes às sociedades, podendo alcançar até 3% do PIB mundial em 2030. Todavia, as mudanças climáticas também estão contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias e novos mercados, como as energias renováveis, a eficiência energética, os biocombustíveis, entre outros. Estudo da consultoria KPMG sobre as influências do aquecimento global nos diversos setores da economia, informa que os segmentos mais afetados serão os de petróleo e gás, transporte e turismo, finanças, aviação e serviços de saúde. O que mais causa temor às empresas, segundo os especialistas, é o endurecimento da legislação, o que demandará aumento de investimentos na redução drástica das emissões.

Outro problema global é o aumento da demanda dos produtos agrícolas durante os últimos três anos. O motivo principal, é o constante crescimento da economia chinesa, oferecendo melhores salários e, consequentemente, mais poder de compra de alimentos – principalmente carne – para a população. O aquecimento da demanda está provocando uma inflação mundial nos preços agrícolas, que já está preocupando os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Completando este quadro (pelo menos por enquanto), está a queda da disponibilidade da água em várias regiões do globo. Especialistas já apontam a existência de mais de um bilhão de pessoas, com dificuldades de acesso à água de qualidade em todo o mundo. Em algumas regiões, como o nordeste da África, não existe água suficiente para manter a agricultura, voltada para a alimentação da população.

Em paralelo com todos estes fatores, temos o fato de que a economia mundial precisa continuar a crescer, para manter os bilhões de empregos que – direta ou indiretamente – permitem com que uma parcela da humanidade continue a manter um padrão de vida minimamente decente. O que cada vez fica mais claro em toda esta situação, é a inter-relação dos problemas. O aquecimento global influencia a agricultura e a disponibilidade de água. Estas, juntas, influenciam as atividades econômicas. Chegamos a um ponto na história em que as atividades humanas tem grande influência sobre o meio ambiente e este sobre a vida do homem. Uma intrincada teia de relações.

Ricardo Rose
Junho/2008
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