#44 - Abril 2009 Voltar ao Índice
Opinião
Artigo produzido para o Espaço Releituras. Mais uma proposta de refelxão quanto à necessidade de se redescobrir o Brasil, desta vez abordando a (falta de) segurança nossa de cada dia.

- ARTIGO -
REDESCOBRIR  O  BRASIL  IV - CRIMINALIDADE


Pesquisando, conversando com pessoas experientes, observando a realidade sem emoção. Esse foi o caminho para a constatação de que a origem da criminalidade não está na pobreza nem na ignorância. Esses são fatores que , somados ou não, podem até promover um aumento da prática criminosa, mas, assim como o bem e o mal existem para que o ser humano exercite sua capacidade de discernimento e escolha, a retidão e o desvirtuamento estão aí para que o indivíduo escolha qual caminho seguir. O criminoso existe pelo mesmo motivo que existem comerciantes, industriais, agropecuaristas e prestadores de serviços: meramente negócios.

O crime é uma atividade lucrativa que independe de formação escolar, de concurso de seleção, de aporte financeiro inicial, de nome limpo na praça ou de tráfico de influência para que o cidadão comece a praticá-la. Tampouco o crime recolhe impostos extorsivos ou se preocupa com sua parcela de responsabilidade social. A criminalidade está em alta porque é um dos negócios mais rentáveis que existem na atualidade.

Corre à boca pequena que um ladrão de automóveis, que aja de forma sistemática, saindo pela manhã para o “trabalho” e retornando à noite como todo trabalhador, consegue auferir por volta de R$ 12 mil por mês. E esse tipo de “profissional” não é o manda-chuva, trata-se do “puxador de carros”, aquele que efetivamente executa o roubo ou o furto. A mesma boca miúda diz que os chefes de quadrilha chagam a faturar dez vezes aquele valor ou mais.

Por que, então, se preocuparia um meliante em buscar a ressocialização se, depois de devidamente reintegrado à sociedade, teria de trabalhar arduamente para auferir ganhos que não chegariam a 10% do que conseguiria com o crime?

E ressocialização, o que é? Pelo ponto de vista do meliante, ressocializar significa pertencer a um grupo financeiramente oprimido, sem direito a sonhos maiores, como casas amplas e confortáveis, como veículos último tipo, viagens e festas. Para o criminoso, viver como um cidadão comum simplesmente não interessa.

“Não!” - poderíamos pensar nós, em um devaneio romântico por uma sociedade justa e fraterna. - “O cerceamento da liberdade, em condições sub-humanas, é o cúmulo da degradação do ser!”

E volta, então, a pergunta: por que a criminalidade cresce em proporções galopantes, mesmo com cadeias e presídios superlotados (100 pessoas onde cabem 20), em que o meliante será sistematicamente estuprado, espancado e extorquido pela comunidade dos que já estavam lá?

Talvez porque a própria sociedade consumista, que nos divide em classes, nos classificando quanto ao potencial de consumo e nos rotulando com letras do alfabeto, tenha igualmente definido o modelo no qual se inserem os criminosos, separando-os em “castas”. A dos bem sucedidos, que desfila em carros luxuosos e esbanja dinheiro em festas, viagens e mordomias; a dos perdedores, que amarga seu destino em prisões abarrotadas de gente, onde estupram e são estuprados, onde matam e morrem. E existe uma terceira casta: a dos bem sucedidos, extremamente ricos, que são apanhados e vão para a cadeia. E lá instalam escritórios de controle de suas organizações.

O criminoso brinca com a sorte. Vive um dia depois do outro e viver ou morrer faz parte da atividade que ele escolheu. A qual casta ele irá pertencer e por quanto tempo é uma questão de astúcia e de sorte.

Redescobrir o Brasil passa por elevar os índices de segurança (já que reduzir a criminalidade parece logicamente impossível), por criar mecanismos que protejam o cidadão da voracidade dos criminosos (ou pelo menos não destruir mecanismos que já existem), por fazer o crime não compensar.

A super campanha de desarmamento alegou que era o cidadão de bem que acabava por armar o bandido. Devia ser mesmo. Antes os bandidos utilizavam revolveres e espingardas que roubavam de nossas casas. Hoje eles as invadem empunhando pistolas e fuzis contrabandeados de todos os cantos do mundo.

Hoje o cidadão comum não tem mais como proteger sua família com uma arma de fogo. Só faltou às autoridades contar aos bandidos que andar armado não vale!



Cláudio Martins
Abril/2009
Contato com Cláudio Martins