#42 - Março 2009 Voltar ao Índice
Opinião
Ricardo Rose é formado em jornalismo, possui cursos de gestão ambiental pela Carl Duisberg Gesellschaft e SENAC, especialização em energia, marketing e finanças. Formado em filosofia. Desde 1997 é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha.

- ARTIGO -
O LIXO ELETRÔNICO


A informatização avança no Brasil a passos largos. O processo de automatização e informatização da economia brasileira iniciou-se a partir da década de 1990, quando o setor bancário introduziu computadores (PCs) e caixas automáticos em suas agências. A indústria também aderiu à tecnologia, instalando centenas de robôs em suas linhas de produção, enquanto que o setor de serviços também se informatizava. Com o crescimento da economia nos últimos anos, explodiu o consumo de PCs; laptops e desktops. Em 2006 o Brasil já era o 7º maior mercado de vendas destes equipamentos em todo o mundo. Em 2008, segundo especialistas, as vendas deverão alcançar o número de treze milhões de unidades, projetando o País para a quinta posição mundial. Paralelamente, cresce a infra-estrutura de informática e telecomunicações, possibilitando que o Brasil seja o país com o maior número de conexões à internet dentre todos os BRICs (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China).

Na área das telecomunicações o Brasil também vem avançando rapidamente, a partir das privatizações do setor de telecomunicações em 1995. Aumentou o número de telefones fixos e cresceu exponencialmente a venda de celulares. Hoje, com cerca de 120 milhões de unidades vendidas, o Brasil é um dos países com maior número destes aparelhos.

Um dos grandes problemas dos equipamentos eletrônicos é sua destinação final após o uso. Depois de anos em funcionamento, equipamentos como televisores, DVDs, celulares, baterias e PCs, acabam sendo jogados no lixo, de onde podem tomar diversos caminhos. Se findarem em aterros sanitários, permanecerão por lá durante milhares de anos até que se desfaçam. Mas, pode acontecer que sejam jogados em terrenos baldios ou em córregos, onde acabarão contaminando o solo e a água com metais pesados, que entram em sua fabricação. Este o grande problema do lixo eletrônico: seu potencial poluidor do solo, contaminando o lençol freático e persistindo por décadas.

A melhor solução para os produtos eletrônicos ao final de seu ciclo de vida útil é a sua reciclagem, já que há possibilidade de se recuperar muitos produtos e metais. Um PC, por exemplo, segundo cálculos da universidade das Nações Unidas, demanda 1,8 toneladas de materiais de todos os tipos para sua fabricação, incluindo minérios de vários metais, petróleo para fabricação de plásticos, água utilizada no processo de produção, etc. Este cálculo também inclui o volume de materiais que se perdem, durante o processo de produção, gerando resíduos. Segundo o fabricante de celulares Nokia, menos de 3% dos aparelhos são reciclados no Brasil, sendo que 65% a 80% do volume do equipamento podem ser efetivamente reciclados. Igualmente PCs e seus acessórios também são pouco reciclados, não passando de 4% do total dos equipamentos vendidos. O que poucos sabem é que além de ser fonte de matérias primas que podem voltar, depois de transformadas, ao processo produtivo, a reciclagem de eletrônicos também é fonte de lucro, já que contêm quantidades mínimas de metais preciosos, como ouro, prata e platina.

Dado o volume crescente de lixo eletrônico é importante que a nova Lei dos Resíduos Sólidos, ainda em análise no Congresso, apresente instruções específicas quanto ao gerenciamento de resíduos eletrônicos.

Ricardo Rose
Março/2009
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