#40 - Fevereiro 2009 Voltar ao Índice
Arte
Agostina Akemi Sasaoka é a criadora e mantenedora do sítio da intenet A Garganta da Serpente.

- APRESENTAÇÃO -
A ALMA DA SERPENTE
(Originalmente publicado em Fevereiro de 1999)

Caros Visitantes:

Muito prazer !

Eu sou o ninho da noite e toda a relva molhada que encobre a terra vaga. Encontro meu alimento em seu umbigo, dentro de seus medos, envolto por sua vergonha. Sei que atordôo... Mas qualquer forma de piedade escapa ao meu poder.

Há muito tempo queria desabafar ou escarrar – tanto faz.

Não sei ao certo como nasci. Portanto, vamos ignorar essa parte, tudo bem? Posso divagar levemente sobre algo que parecia infância ou limbo perdido. Prometo mover-me de acordo com a sua curiosidade.

Observe a anticriança. Ela arrasta os olhos em direção a tudo. Nada lhe escapa. Ela está agachada, uma lupa entre as mãozinhas postas. O sol lhe ajuda e a formiga estrebucha. Talvez essas brincadeiras sejam as mais importantes para delinear personalidades. Apenas quando somos muito pequenos conseguimos aprender o prazer de matar, a simplicidade de mentir, a arte de maltratar....

Fui criança – dizem. E como todas, também tive aquela crueldade inerente. Não venham me falar em espontaneidade; nenhuma criança tolera tal insulto. Admitamos: fomos crianças malvadas. Todos nós, pelo menos em algum momento obscuro e (convenientemente) esquecido. Cada qual aprende desde logo a fazer seu jogo sujo e natural. Cada um sabe o que foi e deve pagar por isso.

Já sei. Estou fugindo do assunto. Devo admitir que não gosto muito de falar de mim. Sempre que isso acontece, corro o risco de ser injusta ou prepotente. Ademais, as verdades não podem ser todas ditas. Foi isso o que me ensinou a convivência humana.

Quando era pequena, lembro-me que quis ser Deus. Parecia a profissão mais divertida, apesar da responsabilidade. Como eu era inocente (?)...

Depois quis ser rainha, piloto de avião, piloto de corrida...

Atualmente estou no último ano do curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco - USP. Ou seja, tornei-me banal. A hora de tornarmo-nos “normais” sempre chega. A perdição é inevitável.

Afora esse erro de (per) curso, tive o prazer de estudar desenho, pintura e gravura com os queridos artistas Egas Francisco e Paulo Cheida Sans, desde muito pequena. Também andei deformando - deliciosamente - meus dedinhos no piano com a eterna D. Olga Rizzardo Normanha e estudei um pouco de flauta. Fiz um pouco de cinema e roteiro sob orientação dos cineastas Julio Munhoz e Adriana Allegro.

Mas, enfim... a minha grande perdição é a ousadia da palavra. E é isto que quero oferecer a vocês.

Aqui, na “GARGANTA DA SERPENTE”, a carne, o tempo, os arquétipos, a loucura, o amor, Deus e o Diabo anunciam a arena da vida, com o único compromisso de provocar sensações, subverter valores, questionar prazeres. A preocupação não é a brincadeira de expor-se mas a delícia de desconsertar.

Eis minha poesia. Bem-vindo.

Agostina Akemi Sasaoka
Fevereiro/2009
O início e a história da Garganta da Serpente
www.gargantadaserpente.com