#37 - Fevereiro 2009 Voltar ao Índice
Cultura
Ricardo Rose é formado em jornalismo, possui cursos de gestão ambiental pela Carl Duisberg Gesellschaft e SENAC, especialização em energia, marketing e finanças. Formado em filosofia. Desde 1997 é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha.

- ARTIGO -
OBRA “A ORIGEM DAS ESPÉCIES” FAZ 150 ANOS



Em 2009 o livro “A Origem das Espécies”, com o qual o cientista Charles Robert Darwin lançou a teoria da evolução, completa 150 anos. Publicado inicialmente em Londres, em novembro de 1859, com o nome “Sobre a origem das espécies através da seleção natural, ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida”, o trabalho de Darwin representa um marco importantíssimo na Ciência.

A idéia da evolução no mundo natural é relativamente recente. Até o século XVIII poucas pessoas admitiam a possibilidade de que podiam ocorrer mudanças na natureza. Todavia, com o desenvolvimento de ciências como a geologia e a paleontologia, os cientistas foram percebendo que o mundo havia mudado bastante durante as sucessivas eras. As rochas e os fósseis traziam informações de uma Terra diferente, povoada por animais e plantas que não existiam mais. Por que os seres vivos se transformavam ao longo do tempo? Haveria algum elo entre as espécies atuais e aquelas encontradas nos fósseis? O que faltava era desenvolver uma teoria que explicasse como estas alterações ocorriam.

Charles Darwin nasceu em 1809, na Inglaterra. Iniciou estudos de medicina, que depois abandonou, tentando uma carreira eclesiástica que também não terminou. Interessado no estudo da biologia, participou de uma viagem exploratória do navio MS Beagle, que durou de 1831 até 1836 e que lhe deu a oportunidade de estudar várias espécies de animais e plantas de todo o mundo. Ao voltar, tendo reunido muito material, Darwin pesquisou e aprimorou sua teoria durante mais de 20 anos, até que a tornou pública através livro “A origem das espécies”, em 1859. A “teoria da evolução”, como foi chamada, tornou-se uma das mais sólidas explicações de toda a história da Ciência, tendo sido comprovada por várias outras descobertas, feitas por muitos outros cientistas, ao longo dos últimos 150 anos.

A teoria de Darwin diz que nenhum indivíduo de uma mesma espécie – sejam formigas, aves, ratos ou humanos – é igual ao outro. Sempre haverá uma mínima diferença entre indivíduos; fato confirmado pela moderna genética. Estas diferenças – transmitidas aos descendentes – podem se acentuar e transformar os sucessores em uma espécie diferente, desde que ao longo das gerações consigam sobreviver em seu meio ambiente (que também pode mudar) e aos competidores.

As mutações que provocam a gradual diferença entre indivíduos da mesma espécie são, entretanto, completamente aleatórias; não são provocadas por nenhuma lei ou força ou propósito. Este é a parte revolucionária e perigosa do pensamento de Darwin: as espécies transformam-se ou desaparecem sem que haja por trás deste processo qualquer objetivo, qualquer programa pré-definido. A conclusão pode parecer estranha, mas é assim mesmo que a evolução funciona. O “projeto inteligente” (intelligent design), concepção segundo a qual haveria uma intenção (divina) por trás da evolução, não tem fundamento na história da evolução. Ainda com relação a isso, Darwin evitava usar a expressão “evolução”, que dá idéia de melhoria, preferindo usar o termo “transmutação”.

Hoje, passados 150 anos do lançamento da “Evolução das Espécies”, ainda existem opositores da teoria. Para a Ciência, todavia, a teoria já está bastante comprovada. Sem ela não seriam possíveis os grandes avanços na biologia, genética, medicina, ecologia e várias outras ciências.

Ricardo Rose
Fevereiro/2009
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