#32 - Janeiro 2009 Voltar ao Índice
Opinião
Artigo produzido para o Espaço Releituras. Uma abordagem sobre a oportunidade do momento mundial para o redescobrimento de valores locais.

- ARTIGO -
2009 - MISSÃO:  REDESCOBRIR  O  BRASIL


Recentemente tive a grata satisfação de ser premiado pela Biblioteca Municipal de Redondo, na região do Alto Alentejo, em Portugal, por textos que escrevi. Isso me deu a oportunidade de trocar e-mails com pessoas de lá. Gente que mora a milhares de quilômetros, mas que falam a mesma língua e são detentores de outra cultura, muita cultura.

Texto vai, texto vem, comecei a relatar as coisas do nosso Brasil. Contei que aqui todos são bem vindos, desde que venham em paz. Contei que aqui as religiões respeitam os espaços umas das outras e que, vez por outra, até se encontram para celebrar a amizade. Falei dos maneirismos de nossa língua, meio portuguesa, meio nheengatu (1), meio “yankee” (2) e meio tupi. Contei do tamanho do país, que nossos amigos do além mar entendem como sendo um continente.

Então, naquela parada gostosa do fim do ano, na tranqüilidade do interior do Rio Grande do Sul, vendo a família reunida e feliz pelo simples fato de estar junta mais uma vez, me veio a certeza de que 2009 será um ano diferente, cheio de realizações. Mas será diferente não apenas por ser ano de número ímpar, ou por ter começado com a lua-crescente . Será diferente porque a tão falada crise mundial vai nos obrigar a olhar para dentro do Brasil.

Infelizmente para uns, oportunamente para outros, nações ditas desenvolvidas terão de passar algum tempo reestruturando suas casas, movendo as peças do tabuleiro da economia com foco em suas economias internas, deixando de lado, pelo menos enquanto durar a arrumação, outras nações que por opção, ou por pressão, seguem as normas ditadas por elas.

E é por isso que volto a afirmar que agora é o momento de redescobrir o Brasil. Não só no turismo, nem no mercado de derivativos. Nem no petróleo, que deve ser visto como matéria prima para bens de consumo (e de capital) e não como gerador de energia, pois para isso temos terras e tecnologia suficientes para geração de biocombustíveis.

Falo de retomar o crescimento com base na produção. Em serviços consolidados e regionais. Em integração entre as escolas e universidades com os setores produtivos, visando a melhoria de vida do coletivo. A melhoria de vida desse gigante que é o povo brasileiro. Um gigante que fala muitos idiomas. Fala nheengatu, fala tupi, fala “yankee”. Mas, essencialmente, que fala português.


(1) - Nheengatu, também conhecido como nhengatu, língua geral da Amazônia, ou ainda pelo nome latino língua brasílica, é uma língua do Tronco tupi, da família Tupi-Guarani. É a língua materna de parte da população cabocla do interior amazônico, além de manter o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. – Fonte: Wikipédia. Sítio da internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nheengatu - consultado em 09/01/09.
(2) - Yankee, no contexto acima, é usado com o significado de “geração Yankee”, que designa pessoas com menos de 30 anos e que tenham crescido em meio às inovações tecnológicas surgidas no final dos anos 80, tendo incorporado em seu vocabulário diversos termos da língua inglesa e dela derivados.


Cláudio Martins
Janeiro/2009
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