#21 - Setembro 2008 Voltar ao Índice
Opinião
Ricardo Rose é formado em jornalismo, possui cursos de gestão ambiental pela Carl Duisberg Gesellschaft e SENAC, especialização em energia, marketing e finanças. Formado em filosofia. Desde 1997 é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha.

- ARTIGO -
RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL



Em todo o mundo, principalmente nos países pobres, o tema da responsabilidade socioambiental vem sendo debatido com intensidade e profundidade cada vez maiores. No Brasil, não há um dia em que não se leia uma matéria opinativa na imprensa, ou não se veja um anúncio comercial de uma empresa, informando suas ações nesta área. Segundo uma recente pesquisa realizada pela instituição Significa, e parcialmente publicada no jornal Gazeta Mercantil, 95% das empresas entrevistadas investem em patrocínio e apoio a projetos que tenham uma componente social. Outros temas que receberam recursos das mesmas empresas, quando se tratava de associar sua marca a uma causa, foram as área de cultura (76%); meio ambiente (74%); esportes (49%); entreterimento (39%); e comportamento (19%). (Fonte: 4ª Pesquisa Anual “Atitude de Marca nas Maiores Empresas do Brasil” – Realização Significa).

A questão socioambiental está preocupando as empresas por diversos motivos. Em países onde os governos estão sem recursos humanos e financeiros para fazer face às demandas sociais – educação, saúde, renda, entre outros – as empresas, principalmente os grandes conglomerados como as empresas transnacionais e bancos, são chamados a cumprirem seu papel social, ajudando as sociedades de onde obtêm os seus lucros. Esta atitude representa uma radical mudança no posicionamento das empresas nas sociedades atuais. O simples pagamento de impostos e taxas e o cumprimentos de leis trabalhistas e ambientais, já não são mais suficientes para que as corporações sejam bem-vistas. O conceito de responsabilidade socioambiental exige que os empreendimentos ampliem seu grau de atuação ambiental e social; partindo da constatação de que, para o bem ou para o mal, a ação de uma empresa na sociedade não se restringe aos limites dos seus muros. Por outro lado, argumentam alguns, as ações de responsabilidade social tem até um caráter político, aliviando pressões que se formam nas populações sem acesso aos benefícios sociais básicos, alcançados apenas por uma parcela da população.

Outros autores afirmam que os países em desenvolvimento foram forçados a cortar despesas de infra-estrutura e investimentos sociais nos últimos vinte anos. A medida tinha como base uma política mundial de redução dos riscos financeiros dos empréstimos para países pobres e em desenvolvimento, comandada pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial. A conseqüência desta política foi a deterioração da infra-estrutura de transporte e saneamento e de toda a malha de assistência social – educação, assistência médica e prevenção, aposentadorias, etc. – nos países afetados pelas medidas. No Brasil, o desgaste da infra-estrutura e da malha de assistência social, aliados à imperícia (para dizer o mínimo) de vários governos, provocou o aumento do desequilíbrio social, com suas conseqüências perversas no dia-a-dia dos cidadãos. As empresas, através de organizações do terceiro setor, passaram então a atuar na implementação de ações pontuais, contribuindo em parte para minorar a situação caótica que se estabeleceu.

Seja como for, fato é que parcelas cada vez maiores da sociedade estão preocupados com o rumo do desenvolvimento do capitalismo. Além dos imensos problemas sociais, estamos explorando o meio ambiente de uma maneira descontrolada; seja para a garantir sobrevivência de uma imensa população que cresce cada vez mais, ou para aumentar as riquezas de minorias.

Ricardo Rose
Setembro/2008
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