#19 - Agosto 2008 Voltar ao Índice
Opinião
Ricardo Rose é formado em jornalismo, possui cursos de gestão ambiental pela Carl Duisberg Gesellschaft e SENAC, especialização em energia, marketing e finanças. Formado em filosofia. Desde 1997 é Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha.

- ARTIGO -
AQUECIMENTO DA ECONOMIA E MEIO AMBIENTE



O país passa por uma fase de crescimento econômico como não acontecia há alguns anos. Em 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,3%, ultrapassando a maioria da expectativas, mesmo as dos mais otimistas. Apesar da crise econômica nos Estados Unidos, os mercados da Ásia e do Mercosul continuam bastante aquecidos, compensando parte da queda das exportações. O mercado interno mantêm o crescimento acelerado – talvez em excesso, segundo alguns analistas – fazendo com que a indústria trabalhe a pleno vapor e aumente o número de novas contratações. Toda esta atividade econômica faz com que cresça a demanda por matérias primas, energia, água e outros insumos. Ao mesmo tempo, sobe a geração de resíduos, efluentes e emissões para a atmosfera.

O setor de tecnologias ambientais também é afetado positivamente por este crescimento. As indústrias e empresas de consultoria que atuam nesta área viram aumentar as suas vendas. Em 2007, o mercado de tecnologias ambientais movimentou cerca de R$ 7 bilhões, dos quais cerca de R$ 2,6 bilhões no gerenciamento de resíduos (setor privado e público) e aproximadamente 3,9 bilhões no tratamento de águas e efluentes. O subsetor que menos faturou foi o de controle de emissões aéreas, com R$ 500 milhões. Não existem dados sobre o número de trabalhadores atuando no setor de meio ambiente brasileiro. Especialistas, todavia, especulam que a proteção ambiental pode estar empregando entre 80 e 100 mil profissionais, incluindo trabalhadores do setor público e empresas privadas fabricantes de equipamentos. Trata-se de um setor de baixo faturamento, se o compararmos, por exemplo, ao mercado da indústria eletro-eletrônica, que em 2007 empregou 155 mil pessoas e faturou R$ 112 bilhões. Outro exemplo é o setor químico, que no ano passado gerou um faturamento de R$ 196 bilhões, atuando com cerca de 100 mil funcionários. Comparativamente, outros países empregam muito mais pessoas no setor ambiental do que o Brasil. A Alemanha, cujo mercado de tecnologias ambientais (incluindo as energias renováveis) encontra-se em grande crescimento, espera que até 2020 o mercado ambiental empregue tantas pessoas quanto a indústria automobilística e a de máquinas somadas (ambas totalizam hoje 1,7 milhões de empregos).

Outro fator que poderia trazer mais atividade ao setor de meio ambiente seria uma maior exigência, por parte dos consumidores, em relação à maneira de como os produtos são fabricados. Empresas com processos produtivos poluidores e dissipadores de energia ou que não investem em treinamento de funcionários, deveriam ser penalizadas pelos consumidores. Na Europa e Estados Unidos empresas ambiental e socialmente irresponsáveis podem ficar com seus produtos parados nas prateleiras, devido a ações de mobilização de consumidores. Com isso, as ações das empresas acabam caindo nas bolsas de valores e a alta administração é forçada a repensar a maneira de atuar da empresa.

Em tempos de alto consumo e aquecimento econômico também é hora das empresas reavaliarem seus processos produtivos, preparando-se para um tempo em que o consumidor ficar mais exigente. E este tempo chegará logo.

Ricardo Rose
Agosto/2008
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