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- ARTIGO -
A RED@ÇÃO DO CORREIO ELETRÔNICO
A clareza e a etiqueta viraram qualidades cada vez mais valorizadas na comunicação on-line
Por Maria Helena da Nóbrega
A quantidade de mensagens eletrônicas enviadas e recebidas diariamente
ampliou o contato com o texto escrito e fez prosperar o número de
autores e leitores. De maneira bastante rápida, a correspondência
eletrônica invadiu a comunicação diária, e mesmo os mais refratários
aos avanços tecnológicos tiveram de aprender a usar o computador, para
não perder oportunidades profissionais ou eventos sociais cujas
respostas são solicitadas por e-mail, por exemplo. A facilidade na
utilização, a rapidez na resposta - às vezes on-line - e a economia com
gastos de postagem pelo correio contribuíram de forma decisiva para a
disseminação desse tipo de comunicação.
Difundir formas adequadas
para a correspondência eletrônica ajuda a evitar o mau uso da
tecnologia, como os presenciados quando as pessoas começaram a ter
acesso a telefones celulares e obrigavam todos os presentes, em lugares
públicos, a ouvir assuntos privados. Hoje esse tipo de gafe ocorre,
ainda que de forma mais rara, mas já é visto como deselegância. A
etiqueta também já ensinou que atender ao celular em cinemas é
grosseria extrema rejeitada pelas regras mais básicas de educação.
Como ocorreu com os meios anteriores, a orientação sobre como usar
adequadamente a correspondência eletrônica auxilia a evitar, por
exemplo, que o e-mail enviado a algum colega seja distribuído
inadvertidamente a todos os funcionários da empresa, com assuntos que o
emissor preferiria não tornar públicos, pelo menos não da maneira como
aparecem no texto.
Eis, a seguir, algumas sugestões que podem
impedir que o e-mail naufrague nas ondas da internet ou intranet (rede
privada utilizada em determinada empresa).
Para a pressa na leitura, exatidão na escrita
É fundamental lembrar que o destinatário do e-mail provavelmente esteja
atarefado, com várias atividades a desenvolver e decisões a tomar. Na
correria dos afazeres diários, uma leitura rápida do texto é o máximo
que ele poderá fazer para apreender de que se trata: uma solicitação,
um agendamento, uma confirmação, um cancelamento etc. O fator tempo, no
entanto, não justifica colocar as respostas e comentários no meio do
texto recebido. Em vez de quebrar o e-mail, deve-se responder em texto
personalizado.
Os e-mails apresentam um tipo de texto que
recorre à língua escrita e língua falada, produzindo uma mescla entre
as características dessas duas linguagens. A redação rápida
assemelha-se à fala de improviso. Pensa-se e digita-se quase
simultaneamente. No entanto, como o texto não terá intervenções do
destinatário em relação a imprecisões, tampouco o redator poderá
esclarecer trechos obscuros. Conseqüentemente, escrever de maneira
rápida exige bom poder de síntese e boa capacidade de ler e reler, para
editar o texto antes de enviá-lo.
Adapte-se ao nível de formalidade
Quando
o e-mail é enviado em substituição a um bilhete ou contato telefônico,
a linguagem usada pode ter maior grau de informalidade. Nesses casos,
ele aproxima-se da fala, embora seja importante considerar que a
mensagem será lida. Um dos problemas comunicacionais advém de o redator
escrever como se falasse despreocupadamente, com frases mal organizadas
e sem clareza. Mesmo que o texto tenda à informalidade, devem-se evitar
erros que comprometam a imagem do redator e da instituição que ele
representa.
Quando o meio eletrônico substitui memorando ou
comunicado interno, a formalidade aumenta, tendo em conta o conteúdo e
o destinatário. Aí é preciso considerar as características da redação
empresarial, que se renovou nestes anos. Tropeços são mais facilmente
evitados quando se tem hábito de leitura de textos bem escritos. Como
redação empresarial demanda rapidez, convém redobrar a leitura não só
de livros de sua área, pois isso facilitará a redação coesa e coerente.
Não embaralhe idéias
Os
textos devem priorizar a simplicidade, clareza e objetividade. Uma vez
que ninguém tem tempo a perder, o vocabulário deve fazer parte da
linguagem usual, sem rebuscamentos que tornem a mensagem hermética.
Simplicidade vocabular, entretanto, não significa repetição exaustiva
de termos, daí a importância de ampliar o vocabulário por meio de
leituras constantes. Adquirir o hábito de leitura também leva à redação
concisa, pois os e-mails devem ser breves. Lendo apreende-se a
estrutura do texto escrito, o que facilita a produção de textos
concisos, coerentes e coesos.
Embaralhamentos de idéias
devem ser eliminados, pois eles dificultam ou impossibilitam o
entendimento. Dá-se preferência, portanto, a frases curtas. Além de
elas serem mais fáceis de compreender, textos longos cansam o leitor,
que tentará, em pouco tempo e muitas vezes sem sucesso, entender de que
trata o fluxo de idéias que jorra do texto. Esse estilo emaranhado
também foge à objetividade necessária à redação
profissional.
Faça releitura
O texto escrito pressupõe releitura, e isso vale também para correio
eletrônico. Mesmo dispondo de pouco tempo, o redator deve reler o texto
para perceber se o sentido corresponde à intenção motivadora do ato de
escrever. A pontuação requer cuidados especiais, pois sinais ausentes
ou inadequados podem alterar o sentido do que se pretende dizer. A
entonação ascendente de uma interrogativa direta permanecerá apenas na
mente do autor, caso o texto escrito não apresente o sinal de
interrogação, e por isso não haverá resposta. Outro exemplo são as
vírgulas, cuja presença ou ausência pode alterar o significado: "Ele
não falou, de alegria" ou "Ele não falou de alegria". No primeiro caso
de alegria refere-se à disposição psicológica da pessoa, e no segundo
caso diz respeito àquilo sobre o que ele não falou.
Reler o e-mail e editá-lo antes do envio são atitudes que ajudam a garantir que
a mensagem pretendida seja condizente com o que se
escreveu.
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Anuncie com clareza o tópico frasal
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Para otimizar o tempo de leitura, o item "assunto" já deve anunciar com clareza o tópico frasal, ou seja, uma síntese do tema principal do texto.
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| De: |
Gabriela |
| Para: |
Armando |
| Assunto: |
Cancelamento da reunião de 15/9/2008 |
| Clareza da mensagem |
Mesmo quando se repassa um material recebido, favorece a clareza da mensagem escrever o "assunto" e uma breve introdução no corpo do e-mail, para esclarecer por que o tema é de interesse do destinatário.
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| De: |
Manoel |
| Para: |
Fábio |
| Assunto: |
Curso como falar em público
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Bom-dia, Fábio Recebi o arquivo anexo. Como você me falou sobre o seu interesse em
fazer cursos nesta área, talvez ele traga o que você procura.
Abraços.
Manoel.
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Verificação de e-mails e respostas
Com a massificação da tecnologia, as pessoas trabalharão menos,
conjecturaram no início da era tecnológica. Engano! Trabalha-se mais,
pois as máquinas não necessitam de repouso e podem estar
ininterruptamente conectadas.
O correio eletrônico deve ser
verificado com freqüência. Como dispensa carteiro, a resposta é
aguardada ASAP, as soon as possible (tão cedo quanto possível), o que é
entendido como imediatamente. Pode ser que o remetente aguarde resposta
para agendar reunião. Caso se fique ausente, deve-se programar a
"resposta automática", para que os outros sejam notificados sobre
quando irá a resposta.
Elegância eletrônica
É
elegante responder a todas as mensagens recebidas, no mínimo para
acusar o recebimento. Sem isso, o remetente pode sempre ficar em dúvida
se o e-mail foi realmente recebido. Ignorar o e-mail de um colega de
trabalho equivale a ignorá-lo, o que é no mínimo uma descortesia. Além
disso, o envio não garante que a mensagem tenha sido lida. Portanto,
nada de cobrar do colega uma posição discutida por e-mail e, se houver
urgência - urgentíssima - para decidir algo, é melhor optar por
telefonar ao colega, na impossibilidade de encontrá-lo pessoalmente.
Para
finalizar o texto, despeça-se do destinatário com cordialidade. Pode-se
optar por usar uma assinatura padrão com poucas linhas sobre
informações básicas do remetente: nome completo, empresa, cargo,
telefone.
E-mails são confidenciais?
A
maneira mais natural para tratar os e-mails é considerá-los como uma
correspondência escrita, seja uma carta, seja um cartão-postal. Em
ambos os casos, prega a boa educação que não se tenha acesso ao texto
sem a permissão do destinatário. No entanto, mesmo quando o conteúdo
encontra-se lacrado, alguém pode abri-lo. E e-mails não vêm em
envelopes! A facilidade em reproduzi-los e enviá-los a terceiros pode
minimizar o ato de violação, de ofensa ao direito alheio.
Nunca
se deve repassar o texto recebido de uma pessoa para outras, exceto com
o consentimento dela. Sem permissão, agride-se o senso de confiança,
princípio básico nas relações sociais. Por outro lado, convém redigir
levando em conta que o texto poderá ser eventualmente lido por outras
pessoas além do destinatário.
E-mail não rima com emoção
Escrever
não é o mesmo que conversar frente a frente, contando com recursos
corporais, expressões fisionômicas, entonação de voz, maneirismos
reveladores das intenções etc. É preciso ter domínio da linguagem
escrita para conseguir envolver o leitor e trabalhar com as emoções
dele, dispondo-o para o riso, a tristeza, a curiosidade etc.
Felizmente, para escrever bem e-mails não são necessárias tais
habilidades, desde que o autor não tente lidar com conteúdo emocional.
O
melhor é evitar expor-se emocionalmente por e-mail, pois as chances de
ser mal interpretado são grandes. Portanto, devem-se frear os instintos
bélicos ao receber um e-mail do qual se discorde. Escrever em CAIXA
ALTA, como se estivesse gritando, não é civilizado. O ideal é
acalmar-se e escolher outro momento (e meio) para solucionar o assunto.
Mesmo brincadeirinhas devem ser evitadas, pois os recursos gráficos
disponíveis nem sempre darão conta de transmitir a intenção de forma
inequívoca. Conhecer as limitações dessa tecnologia impõe um
comportamento verbal mais comedido.
Ética e e-mail
Ao
utilizar o e-mail de uma empresa, a voz que se manifesta no texto não é
apenas a do autor, mas também a da instituição que ele representa. Por
conseguinte, as informações veiculadas devem ter credibilidade e não
comprometer a empresa e os demais profissionais. Respeitar o
destinatário é essencial, tanto no conteúdo quanto na forma do texto.
Qualquer deslize será interpretado como sendo do autor, mas também
contribuirá para macular a imagem da empresa.
Nesse contexto,
não há espaço para enviar a piada mais engraçada do mundo ou a corrente
que trará a felicidade eterna e, portanto, não pode ser quebrada. Esse
tipo de mensagem, além de agressiva e constrangedora, revela muito do
emissor.
A redação adequada de e-mails, com concisão, coesão e
coerência textuais, forma uma imagem afirmativa do autor, adiciona
pontos positivos a seu marketing pessoal. As empresas sabem disso, por
isso valorizam cada vez mais quem sabe se expressar bem por escrito e
pode representá-las com dignidade. Por isso muitas delas criam um
código de ética que deve ser usado por todos os que utilizam o correio
eletrônico em nome da empresa. Fica aqui a sugestão de que as empresas
que ainda não têm esse protocolo criem-no, pois ele educa e
conscientiza o usuário sobre a utilização correta e ética do e-mail.
Nas escolas, o aluno também deve receber as normas definidas pela
instituição de cuja tecnologia ele passa a usufruir.
Maria Helena da Nóbrega
Leia o artigo original
Contato com a Editora Segmento - Revista Língua Portuguesa
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