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- ARTIGO -
A REVOLUÇÃO YANKEE
Talvez nós, da geração “pré-Yankee”, tenhamos mesmo que conviver com uma certa crise de identidade. Somos aguerridos, mas não tanto quanto eles. Temos a visão do quê a tecnologia pode propiciar, mas nem tanto assim. Acreditamos em nossas carreiras em detrimento da fidelidade empresarial, mas já não muito. Também fomos questionados quando falávamos de mudanças como nossos chefes, mas não tivemos tanta coragem de enfrentar e mudar os paradigmas como os “Milenium” têm.
Os “Yankees” são, sem a menor sombra de dúvida, um patrimônio valiosíssimo empurrando as corporações no sentido do sucesso ou do mais puro fracasso. O que define a diferença entre esses dois extremos é a forma de orientá-los. Sim, orientá-los. Eles não gostam que ninguém diga a eles o que fazer (e nem precisam), mas necessitam de estímulo constante e “feedback” quase diário sobre o que estão fazendo e como estão se saindo. Alguns autores os classificam como dependentes de direção. Será?
Talvez por essa fartura de super-atividade e de emoções fortes que seu mundo proporciona, lhes falte àquela sensação de calma que uma tranqüila conversa com os (poucos) amigos, sentado em cima de um muro depois de uma pelada na rua do bairro, nos trazia em nossos tempos juvenis. Aquelas brincadeiras sem maldade, que hoje não têm mais graça, certamente incutiam na personalidade da meninada algo que nos mais jovens tem feito falta. Não que não saibam brincar, há coisas mais interessantes para fazer.
Não é falta de autoconfiança, os “Nets” são determinados e seguros (podem até não estar certos, mas nunca estão errados). São a primeira geração de indivíduos completamente “plugados” que a raça humana teve notícia. Estão acostumados à virtualização e não conhecem limites para a criatividade. Viram as maravilhas tecnológicas explodirem em um turbilhão consumista sem precedentes (mas isso não importa muito para eles) e estão acostumados com recursos de comunicação e armazenamento presentes em todos os ambientes e em todas as situações de seus dias. Nada mais justo que esperarem se deparar com esse tipo de realidade no ambiente de trabalho.
É nesse momento que surgem as primeiras decepções dos “Yankees”. O ambiente corporativo não é como as suas casas - onde reinam soberanos, ditando as ordens de como as coisas devem ser - nem é como na escola – onde o ritmo é alucinante e todos têm pressa de tudo. Nas empresas, invariavelmente, metodologias precisam ser respeitadas e seguidas. As estações de trabalho nem sempre podem receber a instalação de um software que um amigo achou “maneiro” e enviou por MSN. Os caminhos a trilhar seguem o ritmo e o passo das agendas dos chefes - geralmente mais velhos e mais inertes - e isso os frustra de alguma maneira. São inegavelmente produtivos e desmotivá-los com castrações é extremamente fácil.
Mas, olhando para um passado não tão distante, podemos ver que nós, “pós-boomers” e “pré-yankees” também tínhamos nossas asas cortadas quando falávamos sobre alguma novidade que víamos em revistas ou conhecíamos no exterior. Até pelo fato de termos crescido sob os moldes de uma ditadura militar e de uma reserva de mercado que distanciava o país de tudo que era novo em termos de tecnologia, aqui no Brasil nossa geração era rotulada como “inconformada”.
Naquela época, sonhávamos com o que hoje é o cotidiano. Quando um certo jovem visionário dizia que ainda haveria pelo menos um computador por residência nos Estados Unidos e que apostaria todas as suas fichas nisso, não faltou quem o chamasse de louco. Hoje, vemos Bill Gates se aposentar - com seus mais de US$ 50 bi – aos 52 anos de idade, pronto para curtir a vida ao lado da família. Alguém realmente acredita que ele vai parar por aí?
De uma forma ou de outra, somos todos “Yankees”. Alguns mais velhos, outros mais jovens. Sempre tentando colocar idéias novas, introduzir recursos mais eficazes, postular teoremas mais modernos, quebrar paradigmas antigos e chatos. A única diferença é que a geração “Milenium” tem mais coragem e é assim por causa do apoio e do jeito juvenil de quem os criou. Se existe uma culpa, sem dúvida é toda nossa, os pais dessa geração. Mas se existe algum mérito por serem os agentes da próxima revolução de conceitos, esse sim, é todo deles.
Cláudio Martins
Junho/2008
Contato com Cláudio Martins
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